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Milhares de peruanos marcham contra indulto a Fujimori no Peru

Presidente Kuczynski e filha de ditador prestam depoimentos sobre o caso Odebrecht

Peruanos protestam em Lima e outras cidades após presidente perdoar ex-ditador condenado por crimes contra Humanidade - Martin Mejia / AP
Milhares de peruanos se reuniram nesta quinta-feira nas principais cidades peruanas na terceira marcha contra o perdão a Alberto Fujimori, pedindo a renúncia do presidente Pedro Paulo Kuczynski, que anistiou o ex-ditador, que cumpria 25 anos de prisão por crimes contra a Humanidade durante seu governo. Mais cedo, Kuczynski depôs durante horas sobre o caso Odebrecht (que quase causou o seu impeachment), assim como a líder opositora, Keiko Fujimori. O indulto a Fujimori, de 79 anos, foi condenado por grupos de direitos humanos e entidades internacionais e indignou os peruanos, que acreditam que a decisão foi um acordo do presidente para se livrar do processo de destituição no Congresso.

Sob o lema “indulto é insulto”, manifestantes se reuniram em Lima, Cusco, Arequipa e outras cidades carregando cartazes contra o indulto e pedindo a saída do presidente do poder. “Escuta PPK, o povo te repudia”, gritavam os parentes das vítimas de Fujimori, que lideravam a mobilização na capital. A Praça San Martin, tradicional ponto de manifestações em Lima, foi fechada, e os manifestantes ocuparam todas as ruas em volta.

Peruanos espalhados pelo mundo também foram às ruas para mostrar sua insatisfação, com manifestações em Barcelona, Madri, Berlim e Sydney. “O sangue derramado jamais será esquecido”, diziam manifestantes na praça Sant Jaume, em Barcelona. Em Berlim e Madri, os protestos aconteceram em frente aos consulados peruanos. Com velas e cartazes, centenas de pessoas recordaram as vítimas dos massacres.

Advogados das vítimas e de entidades de direitos humanos tentam anular o polêmico indulto na Corte Interamericana de Direitos Humanos, que convocou uma audiência extraordinária para o dia 2 de fevereiro. Além do perdão pelos crimes, Fujimori recebeu também o chamado “direito de graça”, que, na prática, o anistiou por delitos ainda não julgados. O ex-ditador se encontra estável em um hospital de Lima, para onde foi levado às pressas da prisão no sábado para ser tratado de problemas de pressão e cardíacos.

ONU DENUNCIA ‘TAPA NA CARA’

Um grupo de procuradores liderados por Hamilton Castro, chefe da equipe especial que investiga o caso Lava Jato no Peru, chegou no Palácio do Governo pela manhã para interrogar o presidente em qualidade de testemunha, numa reunião que durou quatro horas. Kuczynski é acusado de ter recebido pagamentos milionários da construtora brasileira quando era ministro de Alejandro Toledo. Ele havia negado qualquer vínculo com a empreiteira, mas foi desmentido pela empresa, que colabora com a Justiça. Também nesta quinta-feira, a líder do partido Força Popular e filha do ex-ditador anistiado, Keiko Fujimori, depôs por cerca de cinco horas e meia sobre o caso Odebrecht, no qual é investigada por contribuições ilegais feitas pela empresa à sua legenda durante as campanhas de 2011 e 2016. Keiko foi derrotada por Kuczynski nas urnas em 2016.

Enfrentando uma crise política, o presidente se livrou de um impeachment há uma semana. A abstenção de dez deputados, liderados por Kenji Fujimori, filho do ex-chefe de Estado, evitou o seu afastamento por “incapacidade moral”.

As reações contra o indulto estão afetando o governo, que poderá sofrer mudanças durante os próximos dias. O popular ministro de Cultura, Salvador del Solar, e o presidente-executivo das emissoras de rádio e televisão públicas, Hugo Coya, renunciaram aos seus cargos, além de vários outros funcionários do Ministério de Justiça. Outros três legisladores abandonaram o partido de governo.

Organizações internacionais de direitos humanos também criticaram o indulto, e a ONU denunciou a anistia, classificando-a como um “tapa na cara” das vítimas.

“O perdão presidencial concedido a Alberto Fujimori, baseando-se em fundamentos motivados politicamente, ataca o trabalho do Judiciário peruano e da comunidade internacional para alcançar a justiça”, afirmaram a francesa Agnès Callamard, relatora especial para as execuções sumárias ou arbitrárias, e o colombiano Pablo de Greiff, relator especial da ONU para a promoção da verdade, da justiça e a reparação.

De O Globo

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