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Assessor de Flávio Bolsonaro vira alvo do Coaf; caso envolve futura primeira-dama

Ao todo, o Coaf rastreou R$ 200 milhões em transações financeiras envolvendo 22 funcionários da Alerj

Caso cita até a futura primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro (Foto: Brasil 247)
O Ministério Público Federal (MPF) confirmou nesta quinta-feira que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras ( Coaf ), anexado ao inquérito da Operação Furna da Onça , aponta movimentações financeiras suspeitas de funcionários da Assembleia Legislativa do Estado do Rio ( Alerj ). Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, que revelou a existência do documento, o relatório aponta uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão, no intervalo de um ano, na conta de um assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), eleito senador.

De acordo com o documento citado pelo jornal, as transações foram informadas ao Coaf porque são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” de Fabrício José Carlos de Queiroz, que foi assessor do gabinete de Flávio Bolsonaro até outubro deste ano, com salário de R$ 8.517. Uma das transações listadas é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, mulher de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro é o filho mais velho do presidente eleito.

Em nota, o MPF informou que o relatório do Coaf faz parte da investigação, mas não citou o nome de nenhum funcionário da Alerj que faça parte da lista. O relatório, segundo o jornal, também cita movimentações de dinheiro em espécie. No período de um ano analisado (janeiro de 2016 a janeiro de 2017), o Coaf identificou R$ 320 mil em saques feitos por  Fabrício José Carlos de Queiroz, dos quais R$ 159 mil foram sacados numa agência dentro do prédio da Alerj.

Ao todo, o Coaf rastreou R$ 200 milhões em transações financeiras envolvendo 22 funcionários da Alerj. A análise foi feita a pedido dos procuradores que investigam o esquema de corrupção envolvendo deputados e servidores da Assembleia. No início de novembro, sete deputados estaduais foram presos sob suspeita de receberem propina de receberem propina de empresários de ônibus para votarem a favor de temas de interesse do setor e integrarem a base do governo de Sérgio Cabral. Outros três parlamentares que já estavam presos foram alvos de novos mandados de prisão.

O MPF afirmou que “o aproveitamento das informações na operação Furna da Onça se deve ao fato de existirem indícios de movimentações financeiras ilícitas envolvendo deputados estaduais suspeitos de prática do crime de corrupção e lavagem de dinheiro”. Ainda segundo o Ministério Público, “nem todos os nomes ali citados (no relatório) foram incluídos nas apurações, sobretudo porque nem todas as movimentações atípicas são, necessariamente, ilícitas”.

Ao jornal “O Estado de S. Paulo”, Fabrício José Carlos de Queiroz afirmou que desconhecia o assunto. Flávio Bolsonaro disse, em nota, que o assessor trabalhou com ele por mais de dez anos e sempre foi de “confiança”. O deputado acrescentou que “nunca soube de algo que desabonasse sua conduta”. Ele acrescentou que tem “certeza de que ele dará todos os esclarecimentos”.

De O Globo Online
Em 07.12.18, às 21h55

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