Gestão da prefeita de Mari é alvo do TCE que vê R$ 2,1 milhões em inconsistências

Relatório inicial aponta R$ 853 mil em receitas não contabilizadas e mais de R$ 1,3 milhão em saídas de recursos sem destinação comprovada. Prefeita Lucinha da Saúde tem 20 dias para apresentar esclarecimentos

Prefeita Lucinha da Saúde (Foto: Reprodução)
João Pessoa (PB) - A gestão da prefeita Lúcia de Fátima Santos da Silva, conhecida como Lucinha da Saúde, começou a enfrentar questionamentos importantes sobre a administração do dinheiro público em Mari, na Zona da Mata paraibana. Em relatório inicial de auditoria das contas referentes ao exercício de 2025, o primeiro ano da atual gestão, o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) identificou inconsistências que somam R$ 2.178.242,21 e cobrou explicações da administração municipal.

Confira: Em Marí-PB | Em apenas um ano de gestão, contas da Prefeitura entram na mira do TCE-PB: auditoria aponta R$ 2,1 milhões em inconsistências

Entre os principais apontamentos estão R$ 853.730,70 em receitas que, segundo a auditoria, não foram devidamente contabilizadas e outros R$ 1.324.511,51 em saídas de recursos sem destinação comprovada. Em outras palavras, o relatório aponta valores que entraram nos registros financeiros sem o devido reconhecimento contábil e movimentações de dinheiro público cuja aplicação precisa ser esclarecida.

Os números chamam atenção e levantam uma pergunta que interessa diretamente à população: afinal, onde estão os documentos que comprovam a origem e a aplicação desses recursos?

E não se trata de uma discussão meramente burocrática. Estamos falando de dinheiro público, de recursos que deveriam estar submetidos à transparência, ao controle e à fiscalização. Em uma cidade onde moradores cobram melhorias na saúde, educação, infraestrutura, abastecimento de água e serviços básicos, qualquer dúvida sobre a administração dos recursos municipais precisa ser esclarecida com responsabilidade.

OUTROS 18 APONTAMENTOS AUMENTAM OS QUESTIONAMENTOS

O relatório não se limita aos dois valores milionários. A auditoria também identificou outros 18 apontamentos envolvendo diferentes áreas da administração municipal, entre elas despesas com pessoal, contratações temporárias e recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB).

Entre as questões destacadas está o percentual de servidores contratados temporariamente acima do limite estabelecido pelo TCE-PB, além de questionamentos relacionados às despesas com pessoal e ao registro de recursos destinados à educação.

A quantidade e a natureza dos apontamentos tornam ainda mais necessária uma explicação detalhada da Prefeitura. A população tem o direito de saber como o dinheiro público está sendo administrado, quais medidas foram adotadas para corrigir eventuais falhas e quais documentos comprovam a regularidade das movimentações financeiras.

PREFEITA TEM 20 DIAS PARA EXPLICAR

Diante das inconsistências identificadas, a prefeita Lucinha da Saúde foi intimada a apresentar esclarecimentos no prazo de 20 dias, conforme as informações divulgadas sobre o procedimento.

Agora, caberá à administração municipal apresentar documentos e justificativas capazes de esclarecer os questionamentos levantados pela auditoria. As explicações serão fundamentais para que os órgãos de controle possam avaliar cada apontamento e verificar se houve irregularidades na execução orçamentária e financeira.

É importante destacar que o relatório é inicial e não representa uma condenação ou decisão definitiva do TCE-PB. Os valores apontados ainda precisam ser esclarecidos, e a Prefeitura tem direito à apresentação de defesa.

MARIENSES MERECEM RESPOSTAS, NÃO SILÊNCIO

O que causa preocupação é que os questionamentos dizem respeito justamente ao primeiro ano de gestão. Em apenas um exercício financeiro, a auditoria identificou mais de R$ 2,1 milhões em inconsistências que exigem explicações, além de outros 18 apontamentos.

A população de Mari não pode ficar apenas observando números em relatórios técnicos sem entender o que aconteceu com o dinheiro dos seus impostos. Transparência não é favor de prefeito, é obrigação de quem administra recursos públicos.

Se os valores têm justificativa, que a Prefeitura apresente os documentos e explique detalhadamente cada movimentação. Se existem falhas contábeis, que sejam corrigidas. E, caso sejam constatadas irregularidades, que os responsáveis sejam submetidos às medidas previstas em lei.

O povo mariense merece respeito, transparência e respostas. Afinal, quando se trata de dinheiro público, não basta dizer que está tudo bem: é preciso provar.

ESPAÇO PARA O CONTRADITÓRIO

A redação do Voz Ativa PB tentou contato com o setor financeiro e a assessoria da Prefeitura de Mari, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para que a gestão municipal apresente seus esclarecimentos. Caso haja manifestação, ela será publicada.

O Voz Ativa PB continuará acompanhando o caso e cobrando esclarecimentos sobre a aplicação dos recursos públicos no município de Mari.

Veja abaixo documento do TCE-PB

Fonte: Voz Ativa PB
Em 05.11.2026

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.