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Secretária questiona OMS e admite orientação de uso da cloroquina na CPI da Covid

Mayra Pinheiro, responsável por secretaria do Ministério da Saúde, defendeu uso de medicamento ineficaz para Covid, segundo Organização Mundial de Saúde e entidades médicas

Mayra depôs na CPI da Covid (Foto: Pablo Jacob/O Globo)
Rio de Janeiro (RJ) - Em mais de seis horas de depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira (25), a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, defendeu por diversas vezes o uso da cloroquina e admitiu que o Ministério da Saúde orientou o uso do medicamento no combate ao coronavírus.

A cloroquina, tradicionalmente usada em casos de malária, já teve a ineficácia para tratamento de Covid cientificamente comprovada. Entidades médicas, entre as quais a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Infectologia, desaconselham a adoção do medicamento.

Mayra Pinheiro, que é pediatra, fez críticas à OMS, dizendo que a organização já fez recomendações “condenáveis” e “falhas”. Segundo ela, os países – e o Brasil – não são obrigados a seguir as orientações da entidade.

Para o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), a secretária entrou em contradição e mentiu à comissão. Mayra Pinheiro reagiu ao ser acusada pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE) de ter mentido. "Eu peço respeito. Está me acusando de mentirosa, me respeite, senador", afirmou.

À frente da Secretaria de Gestão do Trabalho, Mayra Pinheiro é responsável pela qualificação e capacitação dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS).

Durante o depoimento, ela se disse favorável a medidas de prevenção ao coronavírus, como o uso de máscaras e a vacina, e contrária à chamada imunidade de rebanho (vídeo abaixo). Ela criticou o “lockdown” e defendeu a reabertura de escolas.

A secretária defendeu a autonomia médica e o “livre arbítrio” dos profissionais e de seus pacientes durante os tratamentos. A posição da secretária foi criticada por senadores.

“A senhora é médica e sabe que essa autonomia médica tem um limite. Esse limite passa pela bioética, passa pela vida. Infelizmente, a senhora está prestando um desserviço no Brasil no momento tão grave que nós estamos realmente enfrentando que é o período de pandemia”, afirmou a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA).

“Essa insistência de permanecer no erro não é virtude, doutora, é defeito de personalidade. Não é da senhora, não, eu estou me referindo até ao presidente da República. Eu digo sempre que os homens erram e os grandes homens – ou as grandes mulheres – reconhecem e corrigem os seus erros, para não começarem a errar permanentemente e matar as pessoas”, disse o senador Otto Alencar (PSD-BA).

Cloroquina

Aos senadores, Mayra Pinheiro, apelidada de "Capitã Cloroquina" em redes sociais, defendeu o remédio na fase de replicação viral, no início da doença.

Ela confirmou que encaminhou ofício à Secretaria de Saúde de Manaus indicando a cloroquina entre os medicamentos, ressaltando que havia “comprovação científica sobre o papel das medicações antivirais orientadas pelo Ministério da Saúde”. No ofício, a secretária reforçou que seria “inadmissível” a não adoção da orientação.

No início deste ano, Manaus enfrentou um colapso no sistema de saúde após a explosão de casos de Covid e o desabastecimento de oxigênio hospitalar. Pacientes morreram pela falta do insumo. Pouco antes do colapso, a secretária esteve em Manaus e defendeu o chamado tratamento precoce.

Segundo ela, o Ministério da Saúde não teve “nenhuma responsabilidade” pelo episódio. “A responsabilidade da doença é o vírus”, pontuou.

Conforme a secretária, não houve por parte do ministério uma “recomendação” para o uso da cloroquina, mas uma “orientação” (vídeo abaixo).

"É preciso que nós deixemos claro que o Ministério da Saúde nunca indicou tratamentos para a Covid. O ministério criou um documento juridicamente perfeito que é a Nota Orientativa nº 9, que depois se transformou na Nota Orientativa nº 17, onde nós estabelecemos doses seguras para que os médicos brasileiros, no exercício da sua autonomia, pudessem utilizar esses medicamentos com o consentimento dos seus pacientes e de acordo com o seu livre arbítrio. Foram essas as nossas orientações”, afirmou.

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Do G1
Publicada por F@F em 25.05.2021

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