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Paraibanas, irmãs gêmeas vão ser separadas pelo destino; veja motivos

Maria Júlia e Maria Isabel, de 17 anos, passaram em 1º lugar nos cursos de Jornalismo da UFMG e Medicina da UFCG, respectivamente

Maria Júlia e Maria Isabel nunca se sapararam. Agora vão ter de seguir caminhos diferentes traçados pela Educação (Foto: Divulgação/Motiva)
João Pessoa (PB) - Irmãs gêmeas, resultados iguais e futuras profissões diferentes. Com apenas 17 anos, as gêmeas paraibanas Maria Júlia Simões Brasileiro e Maria Isabel Simões Brasileiro passaram em primeiro lugar em cursos e universidades federais diferentes. Naturais de Campina Grande, Agreste da Paraíba, as irmãs que nunca se separaram agora vão seguir rumos diferentes confiando no poder da educação.

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Maria Isabel conquistou o primeiro lugar no curso de medicina da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e obteve a maior nota geral de toda a universidade, com uma média de 831,76 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Já Maria Júlia ficou em primeiro lugar no curso de jornalismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), resultado que, apesar de relevante, não foi a principal conquista para a garota, que foi admitida na Barnard College, da Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos, e deve mudar de país em breve. A estudante também foi aprovada no curso de jornalismo na Universidade de São Paulo (USP).

Maria Júlia explicou ao g1 que estudar fora do Brasil sempre foi um sonho, mas o desejo de ser admitida em Columbia surgiu em meio a pandemia de Covid-19, quando ela ouviu falar da universidade. A estudante então passou a trilhar um longo caminho em busca da admissão, cumprindo várias atividades extracurriculares e protocolos exigidos por universidades do exterior.

O processo de preparação teve início antes mesmo da estudante iniciar o Ensino Médio. Ela precisou de cartas de recomendação, obter boas notas em testes padronizados (referentes a uma prova que seria uma espécie de "Enem americano", segundo Júlia), fazer teste de proficiência em inglês e escrever "inúmeras redações" sobre os "valores, trajetória, desafios e conquistas". Nas redações, inclusive, a garota fez questão de falar das raízes nordestinas e do interesse em valorizá-las.

"É um processo não linear e muito desafiador. Eu era a única do meu ano que estava aplicando para universidades no exterior (...) Não conhecia outras pessoas da minha cidade que tivessem conquistado tal feito, sabia que o custo para estudar lá era altíssimo e acreditava que não era boa o suficiente para ser admitida. Mas, ao mesmo tempo, nunca deixei de galgar esse objetivo", relatou.

Apesar das dificuldades, Maria Júlia se engajou em várias ações de ativismo pelas causas femininas - área em que ela deseja trabalhar efetivamente no futuro. A jovem participou de projetos que lutam contra problemas sociais que atingem as mulheres, chegando a escrever para o blog online da Fundação Malala Yousafzai, da ativista paquistanesa e ganhadora do Nobel da Paz Malala Yousafzai. Nesse processo, conheceu a Barnard College.

A Barnard College foi criada para ser a faculdade feminina de Columbia em uma época em que mulheres não eram aceitas na instituição. Hoje, Barnard ganhou autonomia e trabalha para "reafirmar os valores e formar mulheres fortes e pioneiras". Maria Júlia foi admitida com bolsa de mais de R$ 1,5 milhões para estudar em Barnard.

"A escolha de aplicar para a Barnard foi o desejo de realizar o sonho da Maria Júlia de 13 anos, mas também de continuar a galgar e lutar pelo que defendo. Sonho em um dia ser ativista da ONU Mulheres, e estar na cidade de Nova York vai me proporcionar oportunidades semelhantes" explicou.

Maria Júlia deve estudar literatura na Barnard College, em Nova York, a partir de setembro deste ano. Será a primeira vez que ela e a irmã gêmea, Maria Isabel, vão ficar tão distantes uma da outra.

"[O coração] fica apertado. A vida inteira tivemos uma à outra. Nunca estudamos separadas, no máximo em turmas diferentes. Mas é um processo necessário para amadurecermos e valorizarmos ainda mais a presença e a companhia uma da outra", disse a estudante.

Fonte: g1 Paraíba
Em 07.02.2026
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