Camilo Duarte quer fim da PM e armamento para população

Candidato a governador também falou sobre a proposta de uma renda mínima de R$ 7,5 mil para os brasileiros, redução da jornada de trabalho para 30 horas

Camilo é candidato a governador da PB (Foto: Reprodução)
João Pessoa (PB) - Fim da Polícia Militar, população armada e calote da população contra os bancos. Foram esses os principais pontos abordados por Camilo Duarte, candidato do PCO ao governo da Paraíba. Camilo foi o terceiro entrevistado da rodada de entrevistas com os candidatos ao governo do Estado no programa Correio Debate, da Rede Correio SAT. A entrevista aconteceu nesta quarta-feira (16).

Durante a conversa, Camilo Duarte também falou sobre a proposta de uma renda mínima de R$ 7,5 mil para os brasileiros, redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais e adoção da liberdade de expressão irrestrita.

Confira abaixo os principais pontos abordados de acordo com os temas:

Proposta sobre o calote na dívida dos trabalhadores com os bancos e renda mínima

Nosso ponto principal é a defesa da extinção da dívida pública. Não reconhecemos essa dívida. É uma dívida política, não é uma questão puramente econômica. No exercício anterior, foram R$ 1,8 trilhões para pagamento de juros e amortização da dívida.

O Dieese diz que o salário mínimo tem que ser R$ 7,5 mil. Se você pegasse e desse R$ 7,5 mil para cada brasileiro ainda sobrava R$ 200 bilhões. Isso é o orçamento da educação e aproximadamente o da saúde. Se desse uma renda mínima de R$ 7,5 mil a cada brasileiro ainda sobrava isso.

O que a gente defende é que o cidadão tenha o mínimo do mínimo. Se ele não está trabalhando o Estado teria que dar o aporte. A princípio teria que ser quem está desempregado.

O Bolsa Família inicialmente era R$ 300. Ele dobrou com Bolsonaro por uma questão eleitoral. Mesmo assim é um valor irrisório.

Se o próprio Dieese, que é um órgão do Estado, diz que o salário mínimo para um família sobreviver é R$ 7,5 mil, como vai dar para uma família sobreviver com R$ 600?

Se as condições de trabalho e remunerações forem dignas, ela [as pessoas] vão querer trabalhar. O problema é que você morre de trabalhar.

No governo FHC, no Brasil morria em torno de 500 pessoas por dia de fome. Quando Lula assumiu a realidade mudou, mas não há perspectiva para o trabalhar. Você não morre de fome, mas morre de trabalhar e não tem nenhuma evolução. As condições de vida não mudam. É difícil estimular uma pessoa a trabalhar se ela não tem perspectivas.

O mínimo deveria ser o básico, as necessidades básicas atendidas.

Proposta para redução de dívidas dos paraibanos

Você pode propor, mas não deve fazer promessas. Não há como a população ter suas necessidades atendidas se não houver mobilização. Um governo que se coloque do lado da população teria que ter obrigação de dizer ‘olha, tem problema de habitação vamos ver o que está aqui, vamos estatizar’. Se tem problema fundiário na agricultura, vamos dividir a terra e chamar a população para estar cumprindo isso.

O PCO, Camilo ou qualquer outro candidato que vier prometer está fazendo demagogia.

Segurança pública

O cenário atual é de guerra civil. Nas mortes violentas, se não estou enganado, 90% envolvem a polícia, em um estado que a pena de morte não existe. Já vivemos uma guerra civil e a população está sendo assassinada.

Uma população desarmada não tem autonomia. O que gera violência não é a arma. Arma é um instrumento. O que gera violência é a desigualdade social. Enquanto houver desigualdade social haverá violência. Violência é uma questão social.

O crime organizado, tráfico de drogas, está relacionado a um negócio e um negócio de alto risco e alto lucro. Quando maior o risco, maior o lucro. Enquanto as drogas forem proibidas, não houver controle estatal, vai haver esse nicho, vai haver o risco, o lucro exorbitante. Por isso, apesar de ser contra o uso das drogas, a gente defende a legalização.

Mesma coisa é a questão da polícia. Qualquer força policial que esteja separada da população vai se opor a ela em algum momento. Acreditamos que qualquer força policial tem que estar associada ao domínio popular. É uma questão política.

Nossa realidade é: quem é do meio criminoso está armado. Uma parte expressiva da população, a classe média, está armada. A extrema-direita está armada. O trabalhador é que não. Quem é criminoso vai ter a arma dele e vai se impor pela força.

A polícia em geral não existe para defender o cidadão em si, existe para ser o braço do Estado, para impor o domínio da violência pelo Estado.

Um país inteiro armado é um país que tem autonomia. Um país em que o Supremo, um juiz, faz o que quer e o Judiciário passa por cima da Constituição e usurpa poderes do Executivo e Legislativo é uma anarquia.

Já vivemos em uma anarquia. Quem tem dinheiro no Brasil tem segurança privada, já está armado. Quem não tem dinheiro está desarmado e à mercê de quem tem dinheiro.

A mobilização da população é uma necessidade e a questão de ser armado ou não tem haver com resistência da oposição.

Fim da escala 6×1 e adoção de uma redução de jornada

A grande discussão é que tem que haver uma redução da jornada de trabalho sem redução de salários. Há 20 anos atrás, quando começou o movimento da CUT, já tinha um estudo que seis horas diárias atenderia muito bem, 30 horas semanais.

Então, hoje, com a tecnologia que a gente tem e avanço na produção acredito que menos do que isso seria o necessário, atenderia a demanda. A grande questão é política.

Hoje, os bancos tiram de todo o setor produtivo nacional e quem paga isso é a classe trabalhadora. Ele vai lá e tira do menor.

Bancos e corrupção

O Banco do Brasil e a Caixa não são estatais em si. É feito a Petrobras, são economia mista. Qual a finalidade deles? Eles estão proporcionando lucro aos acionistas.

O país mais corrupto, de longe, é os Estados Unidos. A gente acha que o Brasil é corrupto porque a gente não tem a dimensão da realidade externa.

Qual o maior caso de corrupção, tirando o de Alexandre de Moraes, que é R$ 200 bilhões. Nenhum chega perto disso, nem de longe. Não tem nenhum da ordem de bilhão. Corrupção maior é a dos bancos, a do imperialismo e do grande capital. O Brasil está muito longe disso.

Liberdade de expressão

Hoje, no Brasil, o que não falta são leis. Tem uma infinidade de leis mortas. Qualquer política que vá no sentido de dar mais poder ao Estado é uma política ruim. A lei serve para limitar o poder do Estado contra a população. Quando você faz com que essa lei endureça o regime, quem vai pagar é a população, independente do que for. Quem vai pagar é o lado mais frágil, é a classe trabalhadora.

A lei Felca. O que deixa as crianças vulneráveis é a ausência dos pais, o fato dos pais trabalharem várias horas por dia e não terem estrutura para atender as crianças. Não há estrutural estatal e estrutura dos pais. É o abandono com a juventude que deixa ela vulnerável.

A lei Felca não toca em nada disso. Ela não aumenta a segurança, não muda a situação objetiva da criança. Ela serve para reprimir ainda mais.

A questão da censura. Somos contrários à censura. Defendemos o livre debate. Se você tem uma posição, exponha, critica. Se fala alguma coisa vai ser desmoralizado por essa coisa se estiver errada. Ela (pessoa) tem que ter liberdade para falar e pagar politicamente pelo que fala.

Há 20 anos atrás o PT defendia liberdade de expressão em absoluto, defendia voto impresso, defendia os pontos de armamento da população. A extrema-direita atual faz demagogia com isso. É uma pauta da esquerda.

Os próximos entrevistados pelo Correio Debate serão:

Dia 17/9 – Cícero Lucena (MDB);

Dia 18/9 – Lucas Ribeiro (Progressistas;

Dia 21/9 – Yuri Ezequiel (UP).

Fonte: Portal Correio
Em 17.09.2026

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