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Novas espécies de rãs são descobertas em estudo da UFPB

Espécies foram identificadas na Mata Atlântica do Sudeste e no Cerrado da área central do país

Leptodactylus kilombo foi encontrada no Tocantis, em pesquisa da UFPB (Foto: Leandro Alves/UFPB/Divulgação)
Três novas espécies de rãs foram identificadas em um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Os animais foram identificados em matas do estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Tocantins.

De acordo com o pesquisador Leandro Alves da Silva, o Brasil abriga a maior diversidade de anfíbios no mundo, com 1.130 espécies registradas até o momento.

“Embora a ‘descoberta de espécies novas’ provoque comoção, o fato é que a diversidade de anfíbios do Brasil encontra-se severamente subestimada", alerta o pesquisador.
"Novas espécies são descritas todos os anos. Mas há outras que podem levar bastante tempo até receberem um nome formal pelos cientistas. Existem muitas áreas ao longo do país que, antes de qualquer pesquisador ir, ‘um trator já passou e fez o seu serviço’", diz.

Foram descobertas as rãs da espécie Leptodactylus barrioi, encontradas em diferentes localidades do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O nome homenageia o especialista em anfíbios e répteis, o argentino Avelino Barrio, pelas contribuições científicas ao gênero Leptodactylus.

No Parque Estadual do Rio Doce, em Minas Gerais, foi encontrada a espécie Leptodactylus watu. A comunidade indígena Borún, que habita a região, denomina o Rio Doce como "Watu", por isso o nome dado ao animal.

Já a espécie Leptodactylus kilombo foi encontrada no sudeste e na parte central do estado do Tocantins, no Norte do país. Os especialistas a registraram no município de Arraias, local próximo à comunidade quilombola Chapada dos Negros. Por isso, nomearam a rã em homenagem ao quilombo.

O estudo titulado “Unraveling the species diversity and relationships in the Leptodactylus mystaceus complex (Anura: Leptodactylidae), with the description of three new Brazilian species” também conta com especialistas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Estadual de São Paulo (Unesp).

Além de Leandro, Felipe de Medeiros Magalhães também do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) fez parte da pesquisa.

Segundo Leandro, duas das espécies novas ocorrem exclusivamente na Mata Atlântica do sudeste do Brasil, enquanto a terceira é conhecida atualmente apenas no Cerrado do centro do país. O pesquisador destaca a necessidade de se proteger a fauna, a flora e o incentivo à ciência no país.

“Existe uma urgência cada vez maior para revelarmos a real dimensão da biodiversidade brasileira. É preciso subsidiar pesquisas. É urgente empoderar órgãos de fiscalização. O atual cenário do país, infelizmente, não tem sido favorável. Precisamos pensar qual o modelo de país queremos seguir. Poderemos não resistir aos danos que serão gerados pela destruição da natureza”, adverte o pesquisador.

Do G1 PB
Publicada por F@F em 26.05.2020, às 19h04

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