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Empresária relata vida a dois com ex-padre no PR: 'Peça do destino'

A empresária Elisete Corradi, 38 anos, de Águas Frias, Santa Catarina, estava casada há 12 anos e tinha duas filhas, quando se separou do marido

Elisete e o marido Marciano (Foto: Arquivo Pessoal)
“Passei minha infância na cidade de Águas Frias, no interior de Santa Catarina. Lá, brincava muito nas ruas com as minhas amigas. E sempre ficava pra trás nas brincadeiras e apostas de corrida, já que não tinha muita agilidade.

Odiava brincar de corrida porque só ficava por último. Na minha terra, as pessoas brincavam dizendo que, quem ficasse por último, seria a ‘mulher do padre’. E eu sempre ficava. Guarde bem essa informação. Na nossa região, no entanto, os padres eram bem feios e velhos. Então, nunca passou pela minha cabeça um dia ser mulher de um padre. Fora que sempre fui muito religiosa e sabia que isso era considerado ‘pecado’, que padres não podiam se casar, muito menos ter filhos.

Ainda muito nova, aos 18 anos, me casei na cidade de Pinhalzinho, interior catarinense, e já estava com uma filha - Maria Laura - de um ano de idade quando decidimos, em 2004, morar em Sinop, no Mato Grosso, em busca de melhores condições de vida e trabalho.

Meu marido e eu sempre fomos muito religiosos. Católicos, éramos participativos na igreja que frequentávamos. Éramos ministros da palavra e da eucaristia e, quando chegamos à cidade, fomos direto à igreja nos colocar à disposição da comunidade que se chamava ‘Menino Deus’. Ela fazia parte da paróquia São Camilo, onde o diácono era o padre Marciano. Na nossa igreja, na época, tinha um outro padre. Nunca vi o padre Marciano nesse período e, somente no final de 2014, ele foi ordenado padre de vez (antes ele era só diácono) e assumiu a paróquia São Francisco. Não sei por qual motivo, mas a comunidade ‘Menino Deus’ que eu frequentava com meu marido passou a fazer parte da paróquia São Francisco. Até então, não conhecia o novo padre.

Seguíamos sempre muito participativos na igreja e logo fomos apresentados ao novo pároco, padre Marciano, e confesso que não fui muito com a cara dele. Nem sei ao certo o motivo, só sei que o odiei de imediato sem ao menos conhecê-lo. Ele, porém, sempre muito atencioso e gentil, adorava brincar com a minha filha nos encontros e eu odiava cada dia mais tudo o que ele fazia, não sabia o porquê. Não tinha um motivo específico para isso. Pois meu ódio era tanto que cheguei até a me afastar da igreja e só participava se tivesse certeza que não seria ele quem estaria celebrando a missa.

Quando nasceu a minha segunda filha, Sofia, em 2007, advinha quem apareceu do nada na minha casa para fazer uma visita? Ele mesmo! O padre que eu estava com ranço. Me lembro que pedi ao meu esposo que fosse atendê-lo e que o despachasse logo. E eu ali de resguardo e morrendo de ódio. Não queria a presença daquele homem na minha casa. Parece que tudo que o padre fazia me irritava. Mal sabia eu a peça que o destino iria nos pregar no futuro.

Passou o tempo e Marciano foi transferido para outra cidade (Sorriso, no Mato Grosso) e nós também voltamos a morar em Santa Catarina. Soube também, tempos depois, que o tal padre havia pedido afastamento da igreja, por coincidência, em dezembro de 2013, mesmo mês e ano que me separei, depois de 12 anos casada e com duas filhas pequenas. As meninas só tinham seis e dez anos de idade, mas não estava mais dando certo. Eu lutava sozinha, meu ex-marido não tinha nenhuma ambição de crescermos juntos. Para se ter uma ideia, cheguei a ter cinco trabalhos de uma só vez para conquistar as coisas e trazer conforto para a minha família. Ele também se acomodou, nunca lembrava das datas importantes e comemorativas. Nós, mulheres, sentimos isso. Por exemplo, eu comprava uma lingerie nova para agradá-lo, ele nem ligava e só me perguntava, com desdém, quanto havia custado aquilo. Com isso, fui perdendo o amor e o encanto. Dormimos por dois anos no mesmo quarto e na mesma cama com cobertas separadas, sem nem nos tocarmos.

Em 2015, Marciano me encontrou nas redes sociais e puxou conversa. Falou que largou o sacerdócio e estava trabalhando como Secretário de Saúde em Sorriso, onde morava lá no Mato Grosso. Fui educada com ele, mas não lhe dei muita confiança, não. Logo depois ele sumiu. Soube que estava casado e já em vias de se separar. Na mesma época, consegui sair de um relacionamento abusivo que tive. Me livrei do traste. Que alívio!

Em junho de 2016, me lembro bem, ao me deitar, pedi a Deus em oração que me mostrasse o caminho e me ajudasse a encontrar um homem bom, decente e que me amasse de verdade. Pois, no dia seguinte, o ‘ex-padre’ voltou a me chamar na internet e, pasmem, do nada, me disse que eu era a mulher da vida dele! Óbvio que não entendi nada e ri da cara dele. Fui sincera e lhe falei o quanto tinha ranço dele. Achei um abuso ele me cantar assim na cara dura!

Marciano respondeu que já sabia de tudo isso, da minha retidão, mas finalizou a conversa dizendo que queria que eu fosse sua mulher para o resto da vida. Aí que gargalhei ainda mais alto. Pensei: 'Esse cara pirou de vez!’ Nunca antes lhe dei esse tipo de intimidade ou confiança. E ele disse mais: que estava indo até a minha cidade só para me ver! Não acreditei. Educadamente, lhe pedi que não fosse, pois eu não o via como homem e sim ainda como padre, mesmo que já tivesse largado a batina. A imagem de sacerdote ainda era muito forte e presente quando me lembrava dele. Marciano confessou que, desde a época que era padre, me via com outros olhos e que já gostava de mim. Mas, teve que suprimir este sentimento por muito tempo. Por eu ser casada e por ele ser padre.

Após 26 dias dessa conversa, ele apareceu na minha cidade, se hospedou num hotel e me disse que se eu não sentisse nada ao vê-lo pessoalmente, que iria seguir seu rumo e sumir de vez. Deixei rolar. Mal sabia que já estava dizendo um ‘sim’ inconscientemente para o amor.

No dia sete de julho de 2016, Marciano veio até a minha cidade, Pinhalzinho, enfrentou três dias de viagem de ônibus. Fui buscá-lo na rodoviária de Chapecó e foi inexplicável o sentimento e a química que tivemos naquele dia. Um reencontro de almas aconteceu ali. Foi lindo, mágico e único. Me arrepio até hoje ao lembrar daquele momento. Me vi apaixonada pelo ex-padre! Passamos oito anos sem nos ver desde quando ele ainda celebrava as missas que eu frequentava lá no Mato Grosso.

A partir daquele dia, foram mais 23 de convivência intensa. Ele nem chegou a ir para o hotel, foi direto pra minha casa e se instalou lá comigo. Namoramos por 23 dias e depois foram nove meses de conversas diárias por telefone e vídeo chamadas, já que ele teve que voltar pra cidade onde morava.

Mas como nem tudo são flores, alguns ‘amigos da onça’ por parte dele tentaram de todas as formas nos afastar e destruir o nosso amor. Até fotos comprometedoras eles montaram num esquema para tentar acabar com o nosso relacionamento.

Até que me cansei desse rolo e namoro à distância, assim como dessas picuinhas todas, e decidi buscá-lo de carro. Em fevereiro de 2017, brigamos feio por telefone e lhe perguntei se realmente queria ficar comigo. Ele disse que sim. Pois lhe falei pra arrumar toda a sua bagagem, que no dia 5 de março eu estaria indo lhe buscar onde morava. Dirigi 2.300 quilômetros sozinha para buscar o meu amor. Foram dois dias inteiros de viagem, parei só para dormir na estrada. Fui da minha cidade, Pinhalzinho, em Santa Catarina até Sorriso, no interior do Mato Grosso. Trouxe ele de volta comigo para viver na minha cidade e começamos nossa vida juntos, ainda sem muitas condições financeiras, pois ele estava todo endividado na época, e eu tinha muito pouco para sobreviver. Trabalhamos juntos e o ajudei a pagar tudo que ele devia. Lutamos lado a lado e montamos do zero a nossa empresa de utensílios de aço cirúrgico. Nós tornamos empresários juntos e hoje temos uma vida feliz e estabilizada. Nós dois temos uma sintonia e conexão que é de outro mundo. Todo mundo diz isso. Ele assumiu as minhas filhas e cuida delas como se fossem dele. No nosso lar reina o amor e o respeito mútuo.

Marciano largou tudo para ficar comigo, não há prova de amor maior. Adoraria ter mais um filho com ele, que ainda não é pai biológico. Eu queria lhe dar esse presente. Sou laqueada e, caso aconteça uma gestação, sei que a nossa alegria estará completa. Deixei nas mãos de Deus! Há quatro anos estamos casados e sou a mulher mais feliz do mundo. Não me arrependo de nada! Faria tudo de novo. Até brinco com as minhas amigas lhes dizendo que acabei ficando por último nas brincadeiras da nossa infância mas, no final, acabei faturando o padre, o homem da minha vida. Minha alma gêmea nessa vida é meu ex-padre!”

Da Marie Claire
Publicada por F@F em 17.12.2020

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