ENTREVISTA: professor expõe 'limite de apoio' enquanto diretor de colégio de GBA
Professor Léo leciona na rede municipal de ensino em Guarabira e em escola do Governo do Estado na cidade de Mulungu
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| Professor Leonardo da Conceição é da nova geração de educadores do Brejo paraibano (Foto: Fato a Fato) |
O professor Leonardo da Conceição, que leciona Língua Portuguesa, não foi nomeado por indicação da gestão municipal, mas após ser submetido a teste escrito (seleção através da apresentação de projeto) exigido pela Secretaria de Educação, concorrendo com outros educadores. Léo ficou em primeiro lugar, alcançando nota máxima, sendo em seguida nomeado diretor do Colégio Dom Hélder Câmara.
Da nova geração de educadores do Brejo paraibano, o professor Léo leciona na rede municipal de ensino em Guarabira e em escola do Governo do Estado na cidade de Mulungu. É casado com Munique Soares, pai de um filho e a esposa está grávida de um novo herdeiro.
Acompanhe abaixo a entrevista completa
FF- Qual foi o principal motivo de o professor ter aceito participar da prova de seleção para dirigir o Colégio Dom Hélder?
Professor Léo - Aceitei participar da seleção por reconhecer que a Escola Municipal Dom Hélder Câmara vinha realizando um trabalho importante sob a gestão anterior, especialmente no que diz respeito à manutenção da escola e ao funcionamento administrativo. No entanto, percebia que o cotidiano escolar exigia uma postura mais firme no enfrentamento de conflitos e na condução das situações de indisciplina, que acabavam impactando o ambiente de trabalho e o processo de ensino aprendizagem. Entrei nesse processo com a convicção de que era possível avançar, fortalecendo o diálogo, mas também assumindo decisões mais claras e responsáveis, com o objetivo de tornar a escola um espaço mais organizado, acolhedor e favorável à aprendizagem.
FF - Como foi a experiência com funcionários, alunos e professores?
Professor Léo - Foi uma experiência profundamente intensa e humana. Convivi com profissionais dedicados, mas também com pessoas cansadas, sobrecarregadas e desmotivadas por problemas acumulados ao longo dos anos. Com os alunos, o contato diário revelou realidades sociais difíceis, que atravessam o processo de aprendizagem. Com os professores e funcionários, a gestão exigiu escuta, mediação de conflitos e decisões firmes. Aprendi que gerir uma escola é lidar diariamente com expectativas, frustrações e a complexidade das relações humanas.
FF - Que apoio o professor teve da gestão municipal e da Secretaria de Educação?
Professor Léo - O apoio ocorreu de forma institucional, mas, na prática, foi limitado diante das demandas reais da escola. Muitas ações dependeram mais do esforço da equipe gestora local do que de um acompanhamento sistemático da Secretaria. Em vários momentos, senti falta de planejamento mais consistente, orientação clara e presença mais efetiva. Isso fez com que a gestão escolar assumisse responsabilidades que extrapolam sua função, gerando desgaste, mas também reforçando o senso de compromisso com a escola.
FF – Qual relação o professor pode fazer de estar em sala de aula e na direção do Dom Hélder?
Professor Léo - Minha atuação como diretor foi profundamente marcada pela minha identidade docente. Nunca deixei de me enxergar como professor, e isso fez toda a diferença. Estar em sala de aula me deu sensibilidade para compreender as dificuldades reais do ensino, o esforço diário dos colegas e os desafios enfrentados pelos alunos. Essa vivência permitiu uma gestão mais empática, mais conectada com o pedagógico e menos distante da realidade concreta da escola.
FF - Pelo que viveu como diretor do Dom Hélder, qual aprendizado o professor leva consigo?
Professor Léo - Houveram dissabores e quais foram? Levo um aprendizado profundo sobre os limites da gestão escolar dentro de um sistema público. Aprendi que boa intenção não é suficiente quando faltam estrutura, recursos e apoio institucional. Houve dissabores, sim: conflitos internos, resistência a mudanças, burocracia excessiva e desgaste emocional constante. Apesar disso, a experiência contribuiu para meu amadurecimento profissional, ampliou minha visão sobre gestão e reforçou minha compreensão sobre a complexidade do papel do diretor.
FF – Como foi o relacionamento com o secretário de Educação do município e equipe da SME?
Professor Léo - O relacionamento foi institucional e respeitoso, mas marcado por dificuldades recorrentes no atendimento às demandas da escola. As solicitações foram apresentadas de forma clara e fundamentada, porém muitas não tiveram o encaminhamento necessário ou foram atendidas apenas parcialmente. Essa limitação de apoio impactou o desenvolvimento de ações importantes e exigiu que a gestão escolar assumisse responsabilidades além do previsto para garantir o funcionamento da escola.
FF – O que de novo pode ser feito no Dom Hélder em relação ao gestor anterior?
Professor Léo - A experiência mostrou que, para realizar um trabalho consistente na escola, o apoio institucional é fundamental. Com respaldo da Secretaria, planejamento articulado e acompanhamento mais próximo, é possível fortalecer o pedagógico, valorizar os profissionais e garantir melhores condições de funcionamento. Uma gestão escolar só consegue avançar quando há parceria efetiva entre escola e sistema de ensino.
FF – Quais motivos o levaram a não permanecer na direção do Dom Hélder, já que o mandato era de mais um ano?
Professor Léo - A decisão de não permanecer foi resultado de uma reflexão madura. O desgaste emocional, a sobrecarga de responsabilidades e as limitações institucionais começaram a comprometer minha saúde e minha motivação. Entendi que insistir poderia prejudicar tanto a escola quanto a mim mesmo. Optar por retornar à sala de aula foi uma escolha consciente, alinhada à minha identidade profissional e ao desejo de continuar contribuindo com a educação de forma responsável.
Por Antonio Santos/Editor Fato a Fato

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