Prefeito de Sapé é acusado de desmontar a própria administração municipal

Sidnei Paiva extinguiu o gabinete do vice-prefeito e criou mais de 30 secretarias executivas

Prefeito Major Sidnei (Foto: Reprodução)
Sapé (PB) - A Prefeitura de Sapé protagoniza um dos episódios mais emblemáticos de desorganização administrativa já registrados no município. A tão anunciada “modernização” da máquina pública, materializada na Lei Complementar nº 020/2026, revelou-se um movimento apressado, mal planejado e juridicamente frágil. A gestão criou uma nova estrutura inteira, com secretarias, secretarias executivas e subdivisões, mas simplesmente esqueceu de criar os cargos necessários para ocupá-la.

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A reforma administrativa de Sapé parece ter sido construída ao contrário: primeiro se cria o desenho político, depois se improvisa a base legal, e só então se tenta descobrir como tudo isso vai funcionar. A gestão municipal tem priorizado a aparência de modernização em vez da eficiência real. A cidade ganha organogramas bonitos, nomes pomposos e discursos de inovação, mas perde tempo, dinheiro e credibilidade com a falta de planejamento e o amadorismo jurídico.

A nova estrutura cria secretarias e mais de 30 secretarias executivas, além de extinguir o gabinete do(a) vice-prefeito(a), desmembrar a secretaria de Educação e criar subprocuradorias, inchando, fragmentando e tornado mais cara a máquina pública, mas ao publicar a lei com a nova estrutura administrativa, o prefeito Sidnei Paiva de Freitas revogou a estrutura antiga juntamente com todos os cargos de sua composição.

Ao revogar a Lei 1.327/2019, que continha todos os cargos comissionados e suas simbologias, a administração municipal apagou a base legal que sustentava o funcionamento da Prefeitura. E o mais grave: não colocou nada no lugar. A nova estrutura nasceu vazia, sem cargos, sem funções regulamentadas e sem condições reais de operar.

O resultado foi o caos institucional. Para evitar o colapso administrativo, o prefeito correu para aprovar a Lei nº 1.636/2026, que ressuscitou temporariamente os cargos da lei antiga — justamente a lei que havia sido revogada dias antes. Um remendo improvisado, que escancara a falta de planejamento e a incapacidade de prever o óbvio.

Enquanto isso, a nova estrutura administrativa se mostra excessivamente especializada, com uma proliferação de secretarias executivas que mais parece um organograma de governo federal do que de um município de médio porte. A máquina pública cresce, se fragmenta e se torna mais cara — tudo isso sem qualquer garantia de melhoria nos serviços prestados à população.

A população esperava uma reforma administrativa planejada, discutida, fundamentada e implementada com seriedade. O que recebeu, no entanto, foi uma estrutura que já nasce capenga, sustentada por cargos antigos e por uma legislação remendada às pressas, e o que se prevê com a nova lei é a ampliação do “cabide de empregos” em cargos comissionados e a elevação dos gastos com a manutenção da máquina pública sem a devida eficácia ou melhoramento dos serviços públicos.

Fonte: Redação do Portal GPS
Em 04 de julho de 2026

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